
Sobre José Gomes Ferreira
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Nasceu no Porto a 9 de Julho de 1900. Com quatro
anos de idade mudou-se para a capital. Estudou nos liceus de Camões
e de Gil Vicente, com Leonardo Coimbra, onde teve o primeiro contacto
com a poesia. Colaborou com Fernando Pessoa, ainda muito jovem, num soneto
para a revista Ressurreição . A sua consciência política
começou a florescer também ela cedo, sobretudo por
influência do pai (democrata republicano). Licencia-se em Direito em
1924, tendo trabalhado posteriormente como Cônsul na Noruega.
Paralelamente, seguiu também carreira como compositor, chegando a ter
a sua obra "Suite Rústica" estreada pela orquestra de David
de Sousa. Regressa a Portugal em 1930 e dedica-se ao
jornalismo. Fez colaborações importantes tais como nas
publicações Presença, Seara Nova, Descobrimento, Imagem,
Sr. Doutor e Gazeta Musical e de Todas as Artes. Também traduziu
filmes sob o pseudónimo de Álvaro Gomes. Inicia-se na poesia com o poema Viver sempre
também cansa em 1931, publicado na revista Presença.
Apesar de já ter feito algumas publicações nomeadamente
os livros Lírios do Monte e Longe, foi só em 1948
que começou a publicação séria do seu trabalho,
com Poesia I e Homenagem Poética a António Gomes Leal
Ganhou em 1961 o Grande Prémio da Poesia
da Sociedade Portuguesa de Escritores, com Poesia III. Comparece a todos os grandes momentos
"democráticos e antifascistas" e, pouco antes do MUD
(Movimento Unitário Democrático), colabora com outros poetas
neo-realistas num álbum de canções
revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça, com a sua
canção "Não fiques para trás, ó
companheiro". Em 1978 foi projectada em Lisboa pelo seu filho
Raul Hestnes Ferreira, a Escola Secundária de Benfica que viria ser
Escola Secundária de José Gomes Ferreira em sua homenagem. Tornou-se Presidente da Associação
Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato em 1979, da APU
(Aliança Povo Unido), por Lisboa, nas eleições
legislativas intercalares desse ano. Associou-se ao PCP (Partido Comunista
Português) em Fevereiro do ano seguinte. Foi condecorado pelo
Presidente Ramalho Eanes como grande oficial da Ordem Militar de Santiago de
Espada, recebendo posteriormente o grau de grande oficial da Ordem da
Liberdade. No ano em que foi homenageado pela Sociedade
Portuguesa de Autores (1983), foi submetido a uma delicada
intervenção cirúrgica. Veio a falecer dois anos depois,
a 8 de Fevereiro de 1985, vítima de uma doença prolongada. O
Presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio, descerra uma
lápide de homenagem ao escritor em 1990, na sua última morada. |
Vai-te, Poesia! José Gomes Ferreira |
