cabecalho.jpg

 

        Sobre Carlos de Oliveira

 

Carlos de Oliveira, escritor português, nasceu no Brasil, em Belém do Pará em 10 de Agosto de 1921.

Filho de emigrantes portugueses, só viveu no Brasil os dois primeiros anos de vida, pois em 1923, os seus pais regressam a Portugal, tendo-se fixado na região de Cantanhede, mais precisamente na aldeia de Febres, onde seu pai exercia medicina.

Em 1933, mudou-se para Coimbra, cidade onde permaneceu durante quinze anos, a fim de concluir os estudos liceais e universitários.

 Ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1941, onde estabeleceu amizade, convívio intelectual e solidariedade ideológica e política com outros jovens, entre os quais Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora.

Em 1942, publica o seu primeiro livro de poemas “Turismo”, com ilustrações de Fernando Namora, integrado na colecção “Novo Cancioneiro” e em 1943 publica o seu primeiro romance, “Casa na Duna”.

Em 1944, o romance “Alcateia” foi apreendido.

Também nesse ano lançou a segunda edição do livro “Casa na Duna”

Em 1945 publica um novo livro de poesias, “Mãe Pobre”.

O ano de  1945 e seguintes, serão para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação no grupo que veicula e anseia por um “novo humanismo”, com a participação nas revistas Seara Nova e Vértice e a colaboração no livro de Fernando Lopes Graça “Marchas, Danças e Canções – colectânea de poesias de vários poetas”, musicadas por aquele, canções que vieram a ser conhecidas por “heróicas”.

Termina em 1947 a sua Licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte instala-se definitivamente em Lisboa, não deixando, contudo, de se deslocar periodicamente a Coimbra e à Gândara.

Em 1949 casa com Ângela, uma jovem madeirense que conhecera na Faculdade, a qual passou a ser sua companheira e colaboradora permanente.

Em 1953 publicou “Uma Abelha na Chuva”, o seu quarto romance, unanimemente reconhecido como uma das mais importantes obras da literatura portuguesa, estando integrado nos conteúdos programáticos da disciplina de português no ensino secundário.

Em 1957 organiza, com José Gomes Ferreira, numa abordagem do imaginário popular os dois volumes de “Contos Tradicionais Portugueses”, alguns deles posteriormente adaptados ao cinema por João César Monteiro.

Em 1968, publica dois novos livros de poesia, “Sobre o Lado Esquerdo” e “Micropaisagem “e colabora com Fernando Lopes no filme por este realizado e terminado em 1971, “Uma Abelha na Chuva”, a partir da obra homónima.

Também em 1971, publicou “O Aprendiz de Feiticeiro”, colectânea de crónicas e artigos, e “Entre Duas Memórias”, livro de poemas, pelo qual lhe é atribuído no ano seguinte o Prémio de Imprensa.

 Em 1976, reúne toda a sua poesia em Trabalho Poético, dois volumes, apresentando os livros anteriores, revistos, e os poemas inéditos de Pastoral, livro que será publicado autonomamente no ano seguinte.

Publica em 1978 o seu último romance “Finisterra”, paisagem povoada de inspiração gandaresa, obra que lhe proporciona a atribuição do Prémio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.

Morre na sua casa em Lisboa a 1 de Julho de 1981.

 

Extraído de http://www.triplov.com/poesia/carlos_de_oliveira/index.htm

 

inde.JPG

 

 

 

                                          Cantiga do Ódio

 

 

 

 

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?


Carlos de Oliveira, in 'Mãe Pobre'

 

 

 

Lisboa 1945.jpg

Lisboa “antiga”

 

 

 

 

                                                                                                                                                          Início   recuo.jpg 

image023.jpg