
VIAGEM ÀS TERRAS DE
IDANHA
Área raiana de fortes semelhanças com o
Alentejo, as Campanhas ou Campinas da Idanha foram o celeiro da
Beira Baixa.
Nesta planura, por vezes cortada por Cristas
Quartzíticas (Penha Garcia), de orientação NW-SE, ou
por Inselberg “montes-ilhas” que se levantam bruscamente da
terra plana como ilhas no meio do oceano (Monsanto e Moreirinha), a campina de
terras férteis, é banhada pelo rio Ponsul e está integrada
no Parque Natural do Tejo Internacional.
A sua localização privilegiada, no centro da
Península Ibérica, tornou-a uma prioridade para os povos
invasores. Aqui permaneceram os Lusitanos, Romanos, Suevos, Visigodos,
Árabes e ordens militares
medievais, sobretudo os Templários.
IDANHA-A-NOVA: Vila empoleirada
a meia encosta sobranceira ao Ponsul, domina a Campina. D. Gualdim Pais
aqui erigiu o Castelo, mas foi D. Sancho I (1206) que criou Idanha-a Nova.
·
Igreja Matriz-sec.XVI
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Casa do Marquês da Graciosa-sec.XVIII
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Casa do Conde da Idanha-sec.XVIII
·
Ermida de Nª Sra do Almurtão
O que calma vai
caindo, ai,
Aos ceifadores do
campo.
Meu amor se por
lá andas, ai
Encosta-te ao
lírio branco. Por riba
se ceifa o pão, ai
Por baixo fica o restolho.
Menina
não se enamore, ai,
De rapaz qu’envisga o olho. Andando eu
a ceifar, ai,
Nas
ladeiras do Ponsul.
Menina não se enamore, ai
Do rapaz de boina azul.
A imagem apareceu um dia numa moita de murtas. As pessoas
que a encontraram levaram-na para a igreja de Monsanto. Muitas vezes
desapareceu e sempre reencontrada no murtão onde surgira pela primeira
vez. Aí se construiu uma ermida e a imagem nunca mais desapareceu. A
romaria é das mais famosas da Beira Baixa, no 2º domingo de
Páscoa.
Senhora do
Almurtão,
Senhora do Almurtão
Minha tão
linda arraiana.
Aonde
vos foram pôr
Voltai costas a
Castela,
Nas Campinas da Idanha,
Não
queirais ser castelhana
Onde
não há outra flor
IDANHA- A-VELHA (Aldeia
histórica): Da sua grandeza passada falam a Catedral e a
vastidão das ruínas. Fundada pelos Túrdulos no ano 500 A.C. foi reedificada pelos
Romanos que a transformaram numa das vastas e opulentas cidades da
Lusitânia com o nome de Egitânia. Depois de pilhada pelos
Suevos, os Visigodos reconstruíram-na e em 534 foi elevada a cidade
episcopal, sede de diocese e centro de cunhagem de moeda de ouro.
Os Árabes deram-lhe o nome de Idanha e
arrasaram-na em 713, nunca mais recuperando o antigo esplendor. D. Afonso
Henriques e seus sucessores mantiveram-na
pertença da ordem do Templo. Gualdim Pais cercou-a de muralhas e
D. Sancho II concedeu-lhe foral e pediu ao papa Inocêncio II que mudasse
a sede do bispado para a Guarda. D. Dinis entregou-a à Odem de Cristo.
Devido a uma terrível praga de formigas, foi
abandonada por quase todos os moradores, que se fixaram em Monsanto e em
Idanha-a- Nova.
A Observar:
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Sé-Catedral Visigótica
·
Muralhas e Torre
·
Portas Romanas
·
Museu
·
Capela de S. Dâmaso
PENHA GARCIA: Situa-se na encosta sul da serra de Penha
Garcia (Crista de quartzitos silúricos- de grande dureza, formados
na era Primária ou Paleozóica pelos Movimentos
Hercínicos), na qual se pode encontrar, com facilidade, enorme variedade
de fósseis (Bilobites, Trilobites…).
Devido à sua dureza e impermeabilidade, os rios que
atravessam estas cristas cavam nelas gargantas apertadas. É o caso do Ponsul
, em Penha Garcia, ou do Tejo, nas Portas de Ródão.
De remotíssima idade, deve ter a sua origem num
castro. Viriato e seus companheiros fundaram aqui citânias e atalaias com
fins militares. O Castelo foi mandado erigir por D. Sancho I e D. Afonso III deu-lhe
foral e doou-a à ordem do
Templo.
A Observar:
·
Igreja matriz (Sª do Leite)
·
Castelo
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Pelourinho
·
Paisagem
MONSANTO (Aldeia Histórica) :
Povoação antiquíssima, com
vestígios de estações neolíticas, a
situação estratégica (Monte-Ilha
ou Inselberg), despertou sempre o
seu interesse. O seu castelo começou por ser um castro lusitano,
restaurado pelos romanos e após as lutas da reconquista, foi
reconstruído por Gualdim Pais grão-mestre dos Templários
(1165). Afonso Henriques concedeu-lhe foral e D. Dinis concedeu-lhe o direito
de fazer feira junto à ermida de S. Pedro de vir-a-corça. D.
Manuel deu-lhe a categoria de Vila.
Na primeira metade do sec. XX
(anos 30), foi considerada a Aldeia mais
Portuguesa com a atribuição do Galo de
Prata. Percorrer as ruas de Monsanto é uma experiência de descoberta pois os
enormes blocos de granito, alguns de equilíbrio instável, fazem
parte integrante da Aldeia.
A Observar :
·
Igreja matriz (S. Salvador) -
sec. XVII-XVII
·
Torre de Lucano (galo de
prata)
• Capela de Sto
António
·
Capela de Espírito Santo
- sec. XVI e XVII
·
Capela de S. Miguel
• Casa de uma só telha
·
Capela de S. Pedro de
Vir-a-corça - sec.XIII
·
Casa de Fernando Namora
•
Paisagem….
SABIA QUE…
Matrafonas
1.
As cristas quartzíticas
são formadas por quartzito, que é a rocha mais dura e mais antiga
do Planeta?
2.
Nas cristas de Penha Garcia
existem fósseis dos primeiros seres vivos do Planeta – as
bilobites ?
3.
Aqui estiveram os Romanos que
fundaram a Egitânia (Idanha-a-Velha) na via que ligava Mérida a
Brácara Augusta (Braga)?
4.
O Adufe é o instrumento
musical típico das Terras de Idanha e é um pandeiro
bi-membranofone de pele de cabra ou ovelha, montado numa armação
quadrada de madeira, geralmente, de laranjeira?
As
armas do meu adufe,
São de pau de laranjeira,
Ai meu bem, são de pau de laranjeira,
Quem houver de tocar nelas,
Há-de ter a mão ligeira.
Larilolela, larilolela.

Idanha a Velha
Penha Garcia
Monsanto
