
Sobre João José Cochofel
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Nasceu 1919, em
Coimbra e foi licenciado em Ciências
Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra. Poeta,
ensaísta, crítico literário e musical, foi editado pela
colectânea de poesia Novo Cancioneiro e colaborou em
publicações como Cadernos de Juventude, Altitude, Seara Nova,
O Diabo, Sol Nascente, Vértice, órgãos privilegiados
para a divulgação de textos literários e
programáticos filiados numa estética neo-realista. Dirigiu a Gazeta
Musical e de Todas as Artes, entre 1958 e 1962, e o Grande
Dicionário da Literatura Portuguesa e da Teoria Literária,
projecto deixado incompleto pelo seu falecimento. A
reflexão teórica sobre a criação
literária, no âmbito da afirmação do neo-realismo,
disseminada por várias críticas e crónicas, encontra em Iniciação
Estética (1958) um momento de síntese, defendendo aí
que na apreensão estética há uma "comunicabilidade
imediata, sem conceito", possuindo a palavra plasticidade suficiente
para alcançar "as subtis correspondências da sensibilidade
e da afectividade". Da
intervenção crítica, saliente-se a polémica com
António José Saraiva, nos anos 50, nas páginas de Vértice,
onde defendeu, sem pôr em causa o seu alcance pedagógico e sem
tocar o formalismo, que a criação artística possui uma
técnica específica, que a distingue de outras formas de
expressão, e sem o conhecimento da qual não é
possível compreendê-la totalmente. A sua poesia tem
merecido, pelo seu depuramento, pelos conflitos íntimos que exprime,
pela sua forma simultaneamente concreta e alusiva, a atenção da
melhor crítica. Para Eduardo Lourenço (Sentido e Forma da
Poesia Neo-Realista, 1983), a obra poética de Cochofel oferece uma
expressão "altamente mediadora, lugar de equilíbrio
precário mas efectivo da esfera pessoal e colectiva, a uma e outra
oferecendo um território comum, esse horizonte de
imanência". |
Os Dias
Íntimos Mói música um realejo, Com castanhas assadas, Egoísmo de bicho, Ó comedida felicidade, João
José Cochofel |
